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Por Casal Tsunami no dia 05/03/2008 às 15h27

Papua Parte Dois: O Vulcão já avisara...

No dia 27 de setembro de 2006 embarcamos no Star Dancer com destinos às águas de Kimbe Bay, Fathers Reef e as Ilhas Witu, na região oeste de New Britain, no mar de Bismarck.


Eu, Karina, e peixes enxadas


Peixe muito exótico

Fomos recebidos a bordo do Star Dancer pela chefinha e instrutora Pippa, bem como sua eficiente e gentil tripulação de papuanos, e o chef de cozinha Amatto, que era de Tonga.

Fizemos os primeiros mergulhos em Kimbe e após o segundo mergulho, quando estávamos retirando o equipamento, pensei que estava tendo uma alucinação auditiva ao ouvir alguém gritando “Whale Shark”(Tubarão Baleia). Mas não estava não! Eu e Isac caímos na água com máscara, snorkel e nadadeiras assim que a Pippa pulou!

Parece mentira, mas o baby tubarão baleia nos escolheu, pois assim que pulamos ele ficou embaixo de nós dois e voamos em cima dele.

Com a barriga praticamente no dorso, encolhíamos nossas barrigas para não tocá-lo e juntávamos as nossas mãos rezando por aquele eterno momento de magia, que foi quebrado por um dos mergulhadores do barco que tocou no seu rabo, o afastando de nós.

A Pippa assistia com indignação lá embaixo da água àquela atitude tão imatura! Mas o nosso momento magia foi precioso e inesquecível, nada mau para um primeiro dia de viagem...

Tivemos encontros com outros tipos de tubarões que algumas vezes foram atraídos porque os guias de mergulhos sacudiam uma caixa de plástico contendo iscas e assim começava o frenesi.


Tubarões atraídos pela comida na caixa


Que cara de mau!

Vimos alguns grandes cardumes de barracudas, enxadas, jacks e outros. Eu me derretia quando, com a ajuda dos olhos de um critter hunter, o papuano Martin, encontrava nossos pequenos exóticos!


Cardume de barracudas

Enfrentamos algumas correntes marinhas para chegar até o ponto de mergulho, descendo então por uma infinita corda até o local. O Martin muitas vezes nos ajudou, uma vez que ele percebeu que nós não gostávamos muito dessas correntes.


Polvo alegórico (esquerda) e um blue ribon eel, a cobrinha azul

Obrigada pelos ghost pipefishes, mandarins, cavalinhos pigmeus e principalmente pelos novos nudibrânquios que conhecemos... Jamais esqueceremos daquela blue ribon eel (cobrinha), que saiu completamente da sua toca e fez um espetáculo à parte, serpenteando como uma linda fita azul e amarela, num balé raramente visto pelos mergulhadores por conta de sua timidez!


O que dizem meus olhos?


Dois delicados ghost pipefish (foto esquerda) e cavalinho pigmeu em sua gorgônia

E o casal de polvos acasalando! Alguns nudibrânquios aos pares também acasalando, outros colocando seus ovos, em forma de fita branca rendada enroladinha! Sem falar nos ovinhos e olhinhos dos peixinhos palhaços.


Fita amarela: ovos de nudibrânquios (foto esquerda) e outro exuberante nudibrânquio


Dois nudibrânquios: um com "black tie" (esquerda) e outro à brasileira


Nudibrânquios quase acasalando

À medida que navegávamos nos deparávamos com ilhas de vegetações exuberantes e conseguia entender porque a Papua apenas perde para a Amazônia em relação à imensidão verde das florestas. Muitos locais, principalmente mulheres e crianças, se aproximavam com suas típicas e frágeis embarcações de madeiras, para realizar a kula (sistema de trocas de frutas e verduras por bolachas, grãos e sabão).


Típica embarcação para kula

Nós, mergulhadores, presenteávamos as crianças com balões, lápis de cores e outras lembrancinhas, pois eles são muito pobres.

Tivemos o privilégio de conhecer uma ilha de Witu, chamada Garovi. Fomos de barco com a Pippa. Foi uma experiência gratificante ver os meninos orgulhosos mostrando sua escola e, ao longo do caminho, fomos distribuindo mimos. Isac dava lápis, balas e balões. Filmava tudo e depois mostrava para eles. Eles gostavam muito de ver as fotos digitais e o filme em seguida.

Coloquei fivelas de cabelo nas menininhas e elas curtiram, apesar de achar muito diferente. Vimos porcos do mato, casas e embarcações diferentes, mas acima de tudo um povo muito afetivo e educado. Despedimo-nos e voltamos para o barco. Hora de mergulhar novamente! Fazíamos uma média de quatro mergulhos por dia e alguns mergulhos noturnos.

A língua mais falada nas ilhas é o pidgin, enquanto na costa é o mo tu. Entretanto 800 dialetos são falados naquele país, apesar do inglês ser ensinado nas escolas da Papua e grande parte da população falar.

Foram 10 dias a bordo daquele barco-hotel com uma tripulação atenciosa e bacana. Não faltaram cenários marinhos e terrestres diversos, incluindo o vulcão Ullawen em Fathers, que apelidei de fumanchu (nome de um peixinho daquela região, que lembrava a palavra fumaça, que saia da sua cratera).


Eu, Martin e mais dois tripulantes do barco

No entanto, não houve a mesma magia impactante da primeira Papua e apenas um único dia de muck diving. Os mergulhadores não tinham um astral legal e isto faz muita diferença. Sinto que não precisávamos sair de Kimbe Bay e navegar tanto para vermos o que vimos...

Lembraremos com carinho da nossa primeira viagem à Papua e dos momentos agradáveis no resort em Kimbe Bay.

Casal Tsunami

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